sábado, 6 de maio de 2023

O Domingo

Comentário Litúrgico



5º Domingo da Páscoa

Domingo, 07 de maio de 2023

Evangelho (Jo 14,1-12)




Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor;

ninguém vai ao Pai senão por mim.

 

Caros irmãos e irmãs

O trecho do Evangelho deste domingo é o primeiro dentre os três discursos de despedida, pronunciados por Jesus durante a Última Ceia, onde procura consolar e animar os apóstolos: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também” (v. 1). Estas palavras nos permitem identificar a situação da comunidade à qual o evangelista se dirige. No primeiro século do cristianismo eram grandes as perseguições e os discípulos de Jesus certamente estavam perturbados, desanimados e desorientados, por isto, estas exortações de ânimo e de esperança dirigidas a eles. 

Em seguida, Jesus anuncia a sua partida para a casa do Pai, isto é, sua morte e ressurreição: “Vou preparar um lugar para vós” (v.2). Essas palavras visam acender nos discípulos a certeza da volta de Jesus, quando estiver preparado também o nosso lugar junto a Ele. Com isto, a morte do cristão torna-se semelhante à morte do Cristo, como vai dizer São Paulo: “Meu desejo é partir e ir estar com Cristo” (Fl 1,23). A Páscoa renova em nós esta fé, revigora em nós a esperança de estar na intimidade com Deus, em Jesus Cristo.  

Também nesta mesma passagem do evangelho Jesus afirma: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (v. 6). É esta a outra razão para que os seus discípulos fiquem em paz: na pessoa de Jesus, na sua vida, morte e ressurreição está o caminho para viver a vida verdadeira. Cristo é o caminho que conduz ao Pai, a verdade que dá significado à existência humana, e a fonte daquela vida que é alegria eterna com todos os Santos no Reino dos céus.

Ao dizer: “Eu sou o caminho”, Jesus quer afirmar que só Ele nos conduz ao Pai. Ele é o Caminho, isto é, não há outro. E ressalta: “Ninguém vai ao Pai senão por mim” (v. 6). Ao se identificar como “caminho”, Jesus retoma uma imagem conhecida dos seus ouvintes.  Todos eles sabiam que para se ir de um lugar a outro, faz-se necessário o uso de uma estrada, isto é, chão para se caminhar.  O Salmo 25,4, diz: “Mostra-me, Senhor, o teu caminho”. Jesus não é apenas alguém que ensina o caminho.  Ele é o próprio Caminho, por onde temos de passar. Jesus torna-se o caminho único que leva ao Pai. Esta é uma grande novidade do Novo Testamento: Jesus é o único acesso das criaturas para Deus (v. 6). É através de Jesus que nós chegamos à comunhão com Deus. Portanto, para os cristãos, para cada um de nós, o Caminho para o Pai é deixar-nos guiar por Jesus, pela sua palavra de Verdade, e acolher o dom da sua Vida. 

A palavra “verdade” é usada aqui no sentido bíblico, que é diferente do sentido comum e atual.  Significa: revelação. Dizendo “Eu sou a Verdade” (v. 6), Jesus quer afirmar que ele é a única revelação do Pai.  Não há outro meio de conhecermos algo sobre Deus e o sobrenatural a não ser por Jesus Cristo.  Ele não é apenas um mestre que ensina a Verdade. Ele é a própria verdade, que devemos conhecer e com a qual devemos nos identificar. Ele não é apenas alguém que promove a vida ou que transmite a vida, Ele é a própria Vida que devemos viver. Também somos chamados a nos associarmos a São Paulo que diz: “Para mim o viver é Cristo” (Fl 2,21). Por conseguinte, só crendo em Cristo, só permanecendo unidos a Ele, os seus discípulos, entre os quais estamos nós também, podemos continuar a sua ação permanente na história.

A fé em Jesus exige que o sigamos quotidianamente nas simples ações que compõem o nosso dia. Santo Agostinho afirma que era necessário que Jesus dissesse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), porque quando se conhece o caminho, só falta conhecer a meta, e a meta é o Pai (cf. S. AGOSTINHO, Tratactus in Ioh., 69, 2: CCL 36, 500). Portanto, para os cristãos seguir o caminho para o Pai é deixar-se guiar por Jesus, pela sua palavra de Verdade, e acolher o dom da sua Vida. 

O Evangelho nos ensina que a verdadeira liberdade floresce quando nos afastamos do jugo do pecado, que ofusca as nossas percepções e enfraquece a nossa determinação. Deus criou o homem com uma vocação inata para a verdade e, por isso, dotou-o de razão. Todo o ser humano deve perscrutar a verdade e optar por ela quando a encontra, mesmo correndo o risco de enfrentar sacrifícios. A verdadeira liberdade é um dom gratuito de Deus, o fruto da conversão à sua verdade que nos torna livres (cf. Jo 8,32). 

Jesus ainda nos exorta: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,31). Com efeito, a verdade é um anseio do ser humano, e procurá-la supõe sempre um exercício de liberdade autêntica. Muitos, todavia, preferem os atalhos e procuram evitar essa tarefa. Alguns, como Pôncio Pilatos, ironizam a possibilidade de conhecer a verdade (cf. Jo 18,8), proclamando a incapacidade do homem de alcançá-la ou negando que exista uma verdade para todos.

Esta atitude produz uma transformação no coração, tornando as pessoas frias, vacilantes, distantes dos demais e fechadas em si mesmas. São pessoas que lavam as mãos, como o governador romano, e deixam correr o rio da história sem se comprometer. Quando nos colocamos no “pensamento de Cristo” (cf. Fl 2,5), novos horizontes se abrem. À luz da fé, dentro da comunhão com Cristo, passamos também a ser luz do mundo e sal da terra (cf. Mt 5,13-14).

Tenhamos sempre consciência de que somente Jesus é o caminho que conduz à felicidade eterna, a verdade que satisfaz os desejos mais profundos de cada coração, e a vida que oferece alegria e esperança sempre nova a nós e ao nosso mundo. Não hesitemos em seguir Jesus Cristo, pois somente nele encontramos a verdade sobre Deus. Quem pratica o mal e adere ao pecado, torna-se escravo do pecado e nunca alcançará a liberdade (cf. Jo 8,34). Somente renunciando ao ódio e ao nosso coração endurecido e cego é que seremos livres, e uma vida nova germinará em nós.

Imitemos o Filho de Deus que é o Caminho, não apenas pelos Seus exemplos e ensinamentos, mas também porque Ele se identifica com a Verdade e a Vida. Também devemos ter o compromisso de anunciar o Cristo a todos. Esta é a tarefa principal da Igreja, comunicar a mensagem de Salvação, para que a Palavra de Deus se difunda e o número dos discípulos se multiplique (cf. At 6,7).

Invoquemos a proteção maternal da Virgem Maria para que nos faça abrir o nosso coração ao Cristo Senhor, para que ele entre em nossa vida e nos faça olhar o futuro com esperança.  Que tenhamos sempre consciência de que só Ele é o Caminho que conduz à felicidade que não termina; a Verdade que satisfaz as mais nobres aspirações humanas e a Vida cheia de alegria e paz.  Assim seja.

 

Anselmo Chagas de Paiva, OSB Mosteiro de São Bento/RJ 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

4º Domingo da Páscoa 30 04 2023

Neste 4º Domingo da Páscoa, com o Evangelho (Jo 10,1-10) onde retrata o Domingo do Bom Pastor, vela a homilia com o padre Marcelo Pontes.


domingo, 30 de abril de 2023

Salmo 22 (23)

Neste 4º Domingo da Páscoa, O domingo do Bom Pastor no Salmo 22 vem com Antífona "O Senhor é o pastor que me conduz, para as águas repousantes me encaminha." com Sergio Mitoso, Liturgia Santa Teresinha.

domingo, 23 de abril de 2023

3º Domingo da Páscoa 23 04 2023

Veja a homilia do padre Jânio José - CM neste 3º Domingo da Páscoa sobre o Evangelho (Lc 24,13-35) onde nos fala dos Discípulos de Emaús


Salmo 15 (16)

Neste 3º Domingo da Páscoa, Lucas Anderson, Liturgia Santa Teresinha, Paróquia São Pedro e São Paulo, nos apresenta o Salmo Responsório 15 (16), Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto de vós felicidade sem limites! Ouçamos.

terça-feira, 18 de abril de 2023

Paixão de Cristo 2023

Neste dia 06 de abril 2023, o Grupo Teatral Amigos da Paixão da Paróquia São Pedro e São Paulo apresentou o Espetáculo A Paixão de Cristo. O espetáculo foi encenado na quadra paroquial no qual contou com a presença de um publico bastante numeroso e saíram emocionado com a beleza que o espetáculo proporcionou.


segunda-feira, 17 de abril de 2023

Domingo da Divina Misericórdia 16 04 2023

Padre Gilvan Manuel - CM, participa e celebra a missa neste 2º Domingo da Páscoa, Domingo da Divina Misericórdia. Veja a sua homilia que se baseou no Evangelho (Jo 20,19-31) sobre e a visita de Jesus no dilema da falta de fé de Tomé.

sábado, 15 de abril de 2023

O Domingo

Comentário Litúrgico



2º Domingo da Páscoa

Domingo, 16 de abril de 2023

Evangelho (Jo 20,19-31)



Porque Me viste, acreditaste;

felizes os que acreditam sem terem visto



O texto que nos é proposto divide-se em duas partes bem distintas.

Na primeira parte (vers. 19-23), descreve-se uma "aparição" de Jesus aos discípulos. Depois de sugerir a situação de insegurança e de fragilidade em que a comunidade estava (o "anoitecer", as "portas fechadas", o "medo"), o autor deste texto apresenta Jesus "no centro" da comunidade (vers. 19b). Ao aparecer "no meio deles", Jesus assume-se como ponto de referência, fator de unidade, videira à volta da qual se enxertam os ramos. A comunidade está reunida à volta d'Ele, pois Ele é o centro onde todos vão beber essa vida que lhes permite vencer o "medo" e a hostilidade do mundo.


A esta comunidade fechada, com medo, mergulhada nas trevas de um mundo hostil, Jesus transmite duplamente a paz (vers. 19 e 21: é o "shalom" hebraico, no sentido de harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança, vida plena). Assegura-se, assim, aos discípulos que Jesus venceu aquilo que os assustava (a morte, a opressão, a hostilidade do mundo); e que, doravante, os discípulos não têm qualquer razão para ter medo.


Depois (vers. 20a), Jesus revela a sua "identidade": nas mãos e no lado trespassado, estão os sinais do seu amor e da sua entrega. É nesses sinais de amor e de doação que a comunidade reconhece Jesus vivo e presente no seu meio. A permanência desses "sinais" indica a permanência do amor de Jesus: Ele será sempre o Messias que ama e do qual brotarão a água e o sangue que constituem e alimentam a comunidade.


Em seguida (vers. 22), Jesus "soprou" sobre os discípulos reunidos à sua volta. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto grego de Gn 2,7 (quando se diz que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a vida de Deus). Com o "sopro" de Gn 2,7, o homem tornou-se um ser vivente; com este "sopro", Jesus transmite aos discípulos a vida nova que fará deles homens novos. Agora, os discípulos possuem o Espírito, a vida de Deus, para poderem - como Jesus - dar-se generosamente aos outros. É este Espírito que constitui e anima a comunidade de Jesus.


Na segunda parte (vers. 24-29), apresenta-se uma catequese sobre a fé. Como é que se chega à fé em Cristo ressuscitado?


João responde: podemos fazer a experiência da fé em Cristo vivo e ressuscitado na comunidade dos crentes, que é o lugar natural onde se manifesta e irradia o amor de Jesus. Tomé representa aqueles que vivem fechados em si próprios (está fora) e que não faz caso do testemunho da comunidade, nem percebe os sinais de vida nova que nela se manifestam. Em lugar de se integrar e participar da mesma experiência, pretende obter (apenas para si próprio) uma demonstração particular de Deus.


Tomé acaba, no entanto, por fazer a experiência de Cristo vivo no interior da comunidade. Porquê? Porque no "dia do Senhor" volta a estar com a sua comunidade. É uma alusão clara ao Domingo, ao dia em que a comunidade é convocada para celebrar a Eucaristia: é no encontro com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada, com o pão de Jesus partilhado, que se descobre Jesus ressuscitado.


A experiência de Tomé não é exclusiva das primeiras testemunhas; todos os cristãos de todos os tempos podem fazer esta mesma experiência.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

XXVII Encontro de Casais com Cristo

A união das equipes da Sala e de Ordem e Limpeza do XXVII ECC deu a origem da Equipe Roxa, veja quem são os participante da equipe destaque 2011.
Tarefa realizada pela equipe Roxa de Amor por Cristo, na Gicana do ECC 2011 da Paróquia de São Pedro e São Paulo. No tempo da brilhantina, bons tempos não voltam mais.