sábado, 25 de dezembro de 2021

Mensagem do Pároco

 Mensagem do Pároco





HOMILIA DA NOITE DE NATAL

24 DE DEZEMBRO 2021



Caros paroquianos, irmãos e irmãs, visitantes, queridas crianças e todos os irmãs e irmãs doentes que nos acompanham através das mídias sociais.


Hoje cedinho, quando me preparava espiritualmente para viver essa santa liturgia veio a minha mente a seguinte pergunta: qual deve ser o verdadeiro efeito do Natal em nossas famílias? Desde os primeiros momentos do último semestre do ano, quando as luzes e as lojas começam a divulgar as festas natalinas, surgem logo nas conversas populares às outras perguntas: onde vão passar o Natal? Vai viajar para algum lugar? Onde vão realizar a ceia natalina? Vai passar com a sua família? Parece que não dá para separar o Natal da dimensão familiar, da dimensão bonita do amor, está perto de quem amamos, é muito bom.


Para compreender o verdadeiro efeito do Natal em nossas famílias é necessário entender o que é o Natal em si. Para os primeiros cristãos a máxima atenção ao mistério da fé estava concentrada na Páscoa de Jesus, evento fundante da fé, mas também inseparável do mistério do nascimento de Jesus. Não se compreende a Ressurreição sem o mistério da Encarnação do verbo. Natal é a festa da vinda de Deus, dizia o Papa São Leão Magno, “Porém, nos últimos tempos superou os limites da sua habitual generosidade, quando, em Cristo, a própria Misericórdia desceu aos pecadores, a própria Verdade veio aos extraviados, e aos mortos veio a Vida. O Verbo, coeterno e igual ao Pai, assumiu a humildade da nossa natureza humana para nos unir à sua divindade, e Deus nascido de Deus, também nasceu de homem fazendo-se homem”. Quem é este menino? Assim responde a primeira leitura de hoje do livro do Profeta Isaias “Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz”.


Natal é Deus, que rompendo todos os limites de uma compreensão humana, limitada, e descrente se faz mistério no seio de uma mulher, preparada e querida por Ele mesmo e rasga os céus e ilumina para a sempre a Terra “verbum caro factum es” o verbo se fez carne e veio. O verdadeiro significado do Natal ainda não é compreendido por todos os que professam a fé cristã e muita mais distante de sentido para os não-cristãos, Ele veio também para os homens de boa vontade. Os arquétipos e estereótipos que sustentam uma concepção de Natal em nada devem dizer para nós cristãos que não podemos ser ofuscados pelo falso natal, falso porque traz uma mentira que tenta sobrepor a grande verdade, que é Jesus Cristo.


Chamo de falso natal, aquele Natal antecipado antes da Igreja, sem uma preparação previa e consistente na Palavra de Deus, aquele Natal em que tudo se centraliza nas compras, nas ceias sem sentidos, nos presentes com embrulhos de ódio, inimizade, indiferença e desprezo ao próximo. Se o Natal é o nascimento do sol de justiça, por que existem ainda famílias em desunião? Por que tanta fome no mundo? Por que tanta desordem entre as pessoas? Assim dizia um santo da Igreja, São Máximo “Jesus é o novo sol que atravessa as paredes, invade os infernos, perscruta os corações. Ele é o novo sol que com os seus espíritos faz reviver o que está morto, restaura o que está velho, levanta o que está decadente e purifica ainda, com o seu calor, aquilo que é impuro, aquece o que está frio e consome o que não presta”, assim irmãos e irmãs deve ser o Natal. A festa em que aquece o que está frio (talvez o amor, a justiça) e consome o que não presta em nossas vidas (ódio, rancor, ganância e injustiça).


Se o Natal não for entendido assim, como a manifestação da Glória de Deus como diz São Paulo na carta a Tito (segunda leitura de hoje) não será o verdadeiro natal “Caríssimo: Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens, ensinando-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos”. Natal é a manifestação é a epifania do amor de Deus para com a humanidade. Tudo aconteceu no Natal por amor. Em São Lucas é revelado quem verdadeiramente é o menino “Salvator natus est tibi hodie in civitate David; quod est Christus Dominus”. Nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Jesus é o nosso único salvador, maior do que todos os outros ídolos.


Assim, caros fiéis o sentido do Natal é o amor de Deus e o seu efeito nas nossas famílias também deve ser esse amor generoso, abundante, sincero e fecundo. Como seria bom se todas as famílias do mundo vivessem o Natal amando-se mutualmente. Como seria bom se na saudação “feliz natal”, fosse subentendido o amor “feliz amor para com a nossa família! Para mim, neste Natal e nas inúmeras ceias que vão visibilizar o amor ao menino Jesus, eu vou contemplar silenciosamente à luz da fé quatro cadeiras vazias na mesa de minha família. Como o Natal é a festa da família, eu viverei neste ano o primeiro natal sem meus pais e os meus dois irmãos que se uniram a tantos outros que foram vítimas da Pandemia da Covid-19 neste ano 2021 na grande ceia da eternidade. Como vai fazer falta ouvir aquela voz materna dizendo “Deus te abençoe meu filho e um Natal para você e seu paroquianos”. Como amar o Menino Jesus e ver os lugares vazios em nossas mesas? Como sentir o amor de Deus diante de uma imensidão de solidão, lágrimas e saudades? Quero hoje está na solidão com o menino Jesus que nasceu isolado e longe do barulho da cidade. Quero estar com Maria e José que excluídos das mesas e das ceias da grande Belém foram acolhidos entre o bafo dos animais na manjedoura quente e segura, Belém é a casa do Pão, por isso Jesus agora é alimento da vida eterna. Vamos à Belém, todos alegres para se alimentar de Jesus. Deus não é solidão e tristeza, Deus é amor e quem ama revela-se onde está e absorve esse amor e rejuvenesce sua alma, porque o nascimento de Jesus é maior do que tudo, até mesmo do que a morte. Se Ele nasceu eu não morrerei jamais! Se ele nasceu o amor nunca acabará em nossas famílias.


Portanto, caros fiéis, após a santa missa de Natal, vamos todos, as nossas casas, com ou sem ceia natalina, está missa já foi o nosso natal. Amem verdadeiramente os membros de sua casa. Apague todo ódio e inimizade, viva o amor, abrace o menino Jesus. Deus existe e veio morar no meio de nós, cantem os anjos e corramos assim a Belém:



Adeste fideles laeti triumphantes

Venite, venite in Bethlehem

Natum videte regem angelorum

REF: Venite, adoremos, Venite, adoremos, Venite, adoremus, Dominum!

Aeterni Parentis splendorem aeternum,

Velatum sub carne videbimus;

Deum infantem pannis involutem.


Pe. Gilvan Manuel, CM


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